segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Preparações Finais

Vendredi, le 1 juillet 2011

No post de hoje:
  1. Intro: o medo de viajar de avião
  2. 3 Leis de Daher para o Viajante Solitário
    1. Tenha sempre um Backup
    2. Preparação e Boa Vontade
    3. Nunca viaje sozinho (Ãh?)
  3. Preparação e documentos
    1. Sobre o CORAC (http://corac.fr/)
    2. Sobre o CEAS - Le Fil d'Argent (http://www.corac.fr/fr/les-chantiers/8311-ceas)
    3. Tirando o passaporte
    4. Comprando a passagem de avião
    5. Os serviços de uma agência de viagem
    6. Gastos com a viagem
    7. Documentos importantes

            Sexta-feira, um dia antes da viagem. Há uns 10 anos atrás um avião, não, dois aviões se chocavam contra as Torres Gêmeas, e há poucos dias conseguiam recuperar os dados da caixa-preta do Airbus da AirFrance (que caiu fazendo o trajeto que eu faria). Sem contar os inúmeros acidentes que aconteceram nesses últimos anos, incluindo o trágico acidente com o Fokker100 da Tam e o não menos trágico envolvendo um Legacy e um avião da Gol. Pra aumentar o pavor, eu sempre tive muitos pesadelos com quedas de avião. Dá pra notar que decidir fazer esta viagem foi para mim um ato de vencer um medo, que diga-se de passagem é irracional, pois acidentes acontecem todos os dias e com todos os meios de transporte.
            Neste dia eu fazia os preparativos finais, pois já estava quase tudo pronto desde o dia anterior. Roupas, remédios, documentos, eletrônicos etc. Tudo registrado em um Checklist que incluía a função de cada remédio que eu levei. Acreditem, consegui colocar tudo em uma mala (para despachar) e uma mochila (bagagem de mão).
            Como neste dia não fiz nada além disso, vou deixar aqui umas dicas para quem vai viajar para o exterior (especialmente sozinho) e também falar um pouco sobre o projeto no qual me inscrevi.

***

3 Leis de Daher para o Viajante Solitário

1ª – Tenha sempre um Backup:
            Perder documentos (ou dinheiro e pertences) é comum; principalmente quando se está preocupado com horários de avião, trem, ônibus ou mesmo quando está se divertindo. Para facilitar tenha cópias de seus documentos (xérox) e também digital (se for possível). Eu coloquei cópias de todos meus documentos importantes em fotos no celular e em uma pasta privada no PicasaWeb. Lógico que uma cópia do passaporte (física ou digital) não terá valia alguma, mas pelo menos você pode ter acesso ao seu número (que dificilmente saberá de cor – ainda mais num momento de desespero) e de certo modo pode comprovar que você “tinha” o documento. Por exemplo, eu tirei uma foto do passaporte e de mim mesmo segurando o passaporte. Pode parecer paranóia, mais cuidado demais não pesa na mala.

2ª – Preparação e Boa Vontade:
            Ao visitar um lugar completamente estranho é importante que ele não seja tão estranho assim. Dê-se ao luxo de estudar o mínimo necessário do idioma do país a visitar, pois mesmo para quem domina a língua, as situações são diferentes, os protocolos são diferentes e é difícil numa hora de necessidade conseguir o desejado se você não sabe se comunicar. Por exemplo, quando haviam se esgotado as passagens de trem (e eu tinha um ticket especial – depois entro em detalhes), passei uma tarde inteira para conseguir conexões para me levar a cidade de destino, foi um parto para conseguir ser atendido devidamente e entender o que eu deveria fazer.
            E enfim, se você vai estar com um grupo de pessoas estranhas, talvez ainda de outros países, com outros costumes e hábitos, às vezes desagradáveis, ou mesmo situações imprevistas e decepções, temos que ter boa vontade para nos adaptar e fazer nosso papel para criar um bom ambiente.

3ª - Nunca viaje sozinho:
            Leve sempre com você um alguém que o acompanhará em todos os momentos, fáceis ou difíceis, lhe dará apoio e força para enfrentar os problemas: DEUS. Eu conversava com Ele, agradecendo, pedindo perdão e Seu apoio sempre que eu podia ou precisava. Se não fosse por Ele, eu teria desistido na minha primeira noite em Paris.

***

Preparação e Documentos

            Decidi participar deste projeto divulgado na Internet pelo CORAC (não sei o que significa) – Chantier Internationaux de Bénévoles (Canteiros Internacionais de Voluntários), que é uma “organização” que divulga os projetos que tem como possibilidade a participação de voluntários que venham de outros países para a França para trabalhar seja com construção civil, restauração do patrimônio histórico ou até eco-trilhas (cujo objetivo é retirar a sujeira deixada pelo homem na natureza). Ele me foi apresentado pela minha prof. de francês, e mais tarde os detalhes foram dados por uma moça que participou de um no ano de 2010. Para os interessados em detalhes visitar:

http://corac.fr/ : Site do CORAC

https://groups.google.com/group/cib-br : Grupo do Google para os interessados e participantes

            Depois de muito pensar, decidi por este projeto no “Fil d´Argent” (cordão de prata), que consistia em construir um jardim de plantas terapêuticas para este centro o CEAS, que cuida de pacientes de Alzheimer (doença degenerativa do sistema nervoso – vou entrar em detalhes no momento devido). De cara fiquei encantado, achei que o projeto tinha um objetivo nobre (apesar de eu nunca ter me preocupado em fazer isso aqui no Brasil e parecer um tipo de hipocrisia) eu decidi, principalmente porque ficaríamos alojados num albergue para a juventude (era uma possibilidade, mas logo a coisa mudou e acabamos por ficar em acampamento no próprio canteiro).
            Acredito que a epopéia começou quando fui tirar o passaporte (janeiro), o agendamento é feito apenas on-line e a data ficou marcada para 3 meses após preenchida a ficha de inscrição. Quase perdi o agendamento, por causa do bendito celular que não tocou um alerta sonoro, mas no fim deu tudo certo e o passaporte saiu em poucos dias. Aí comecei a procurar um projeto para participar.
            Quando recebi a ficha de inscrição, já um problema: idade limite do participante era 24 anos. Ops, estou 10 anos atrasado. Informei o organizador e ele autorizou. Preenchi a ficha e esperei ansiosamente a resposta. Depois que recebi ele ainda deixou em aberto, pois faltava a confirmação de outros participantes (acredito) e nesse meio tempo, até a confirmação final, perdi a chance de comprar uma passagem pela metade do preço. Juro, esperei apenas 5min, com a tela do Decolar aberta, quando decidi comprar, mesmo sem a confirmação definitiva, cliquei no botão, mas já era tarde demais. Por isso, quando forem comprar passagens de avião já tenham tudo bem planejado e não hesitem, ainda mais se tratando de uma viagem para o exterior em alta temporada (quando as passagens são mais caras).
            Pro fim acabei falando com uma amiga que já havia visitado a França e ela me indicou a agência de viagens do seu tio, ZipTour (que recomendo, fui muito bem atendido - http://www.ziptour.com.br). Foi a melhor coisa que fiz, sendo um marinheiro de primeira viagem. Apesar do vôo escolhido não ter sido o ideal (havia 2 escalas tanto na ida como na volta), ele me deu vários toques importantes, como procurar não usar as viagens de trem noturnas, pois há relatos de assaltos. Foi importante também para comprar o Seguro de Viagem (obrigatório, pelo menos para ir para a França). Enfim, são pessoas que tem mais chão nesse campo, e se não sabem tudo, certamente sabem mais que alguém que nunca viajou sozinho. Vale a pena, pelo menos na primeira vez, utilizar uma agência de viagens.
            Não lembro direito quanto gastei ao total, mas entre passagens, seguro, comprar euros e créditos para o roamming international foi aí alguns milhares de reais, como eu imaginava. Se planejam uma viagem como esta, reservem uns 5mil reais para os gastos (sem contar o consumo de coisas mais caras, como um computador, por exemplo).
            Por falar em dinheiro, o abrigo e alimentação eram de responsabilidade do programa que participei. Então, fora os momentos em que passeei sozinho, tudo foi pago pelo programa. E por falar nisso, a ideia é que os participantes trabalhem pela manhã e à tarde participem de atividades culturais e visitas à praias, eventos etc, também tudo pago pelo programa. Em outras palavras, para quem quer conhecer uma França não apenas turística, é um prato cheio. Mas até aí, tudo parecia perfeito, o único medo que eu tinha era do avião despencar no meio do oceano, explodir ou perder uma asa, ou um coque entre dois TGV´s lançando os vagões pelo ar.
            Voltando a falar dos documentos, coisas importantes: levei comigo um documento assinado pelo organizador que comprovava minha participação no projeto, incluindo os dias que eu precisaria ficar na França (quando cheguei à imigração, em Lisboa, apresentei isso e o oficial aceitou na hora). Levei por precaução um documento do Poli-Bentinho que comprovava que eu estava empregado aqui no Brasil, para evitar a ideia de que eu estava indo para ficar por lá.
            Ah, outra coisa que facilitou: eu estava preocupado com a necessidade de Visto, então mandei um e-mail ao consulado francês, acredito que telefonei também, e felizmente, para estadia de até 3 meses o Visto não é necessário.
            Levei comigo três carteiras com documentos. Numa havia o check-in online do vôo, etiqueta de bagagem extra, comprovante de pagamento da passagem, comprovante de reserva dos hotéis (que foram estrategicamente escolhidos perto da estação e aeroporto que dos quais partiam minhas viagens), nota fiscal da compra dos euros (comprados na Confiance – Iguatemi), umas centenas de euros e 150 reais, ah, e um RG e um CPF original. Na outra estavam a passagem de trem (um EurailPass) e os mapas e guias para viagens de trem pela França e Europa. Estas duas eu deixava na mochila. Na carteira de bolso eu levava metade dos euros, alguns reais e a carteira de motorista. E o passaporte, que é sem dúvida o documento mais importante, sempre comigo (só um dia eu o esqueci e fiquei na neura). Levava comigo também a ficha de inscrição (contrato do projeto) assinada, que no final acabei não entregando, pois já havia enviado também em formato digital.
           
            Bom gente, isso tudo, foi só a preparação, e acredite, não entrei nos mínimos detalhes. Seguem as fotos de alguns documentos de identidade ou apoio, e uma foto da minha mochila, que tirei para mostrar ao agente de viagem, pois existe também uma regra para peso e tamanho das bagagens que precisamos prestar atenção. Boa noite, abraços e beijos!

            Ah, quase me esqueço, levei também 2 cópias de um plano de viagem, com meu itinerário, contatos e equipamentos eletrônicos de uso pessoal, deixei um em cada bagagem, em caso de perda ou necessidade.

Eu e minha bagagem de mão (ou de costas)

Ticket que se troca pelas passagens no Guichê do Aeroporto
Importante guardar e fcar atento aos códigos de vôo e horários

Eurail Pass. Me permite viajar quatro dias num período de 2 meses de validade.
Atenção: ele é mais barato (comprei 4 viagens em 1ª classe pelo preço de duas), mas é bom marcá-las com antecedência em épocas de muito fluxo. Mas de qualquer maneira, para os trens rápidos (como o TGV) é necessário pagar uma taxa de 3 euros pelo assento.


Reserva do hotel no qual fiquei antes de voltar ao Brasil.
Este é ótimo, ele é praticamente dentro do Aeroporto de Orly.
Vale guardar, facilita o check-in, é um comprovante
e ainda tem todos os contatos.

Seguro de Viagem. Determina todos os benefícios dos quais
posso usufruir se ficar doente, me machucar ou precisar comprar remédios.
Existem vários planos diferentes, de cobertura e duração.

Cartão com os telefones úteis do Seguro (ter sempre consigo)


Declaração de Empregado e Atestado de Inscrição no Projeto: Muito importante para passar tranquilo pela imigração.


Mais imagens de documentos e guias serão adicionados a um álbum público do PicasaWeb, assim que tiver novidades, eu forneço o link.

E para quem tiver curiosidade sobre o título do blog, vou entrar em detalhes no futuro, foi muito difícil decidir um nome.

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