domingo, 14 de agosto de 2011

Toulon-Toulouse

Jeudi, le 14 juillet 2011

No post de hoje:
  1. À procura de um cybercafé
  2. Partida calorosa, viagem saudosa
  3. Vídeo e fotos
          Naquela quinta não aconteceram muitas coisas... O dia girou em torno de alguns probleminhas e correrias. Após o trabalho a Son-Ca saiu com a Kelly, se não me engano para levá-la no hospital por causa da queda do cavalo e ela voltou com uma "tala" no pescoço (não sei como chama aquele treco). Ela estava com vergonha e cobriu a coisa com a gola da camisa, como se não desse pra perceber ou ficasse mais bonito.
          Nesse meio tempo eu corri até o Carrefour para comprar meu 3DS, que abri rapidinho na barraca pra ver como era, mas nem mostrei pra ninguém para não ficar chamando atenção e porque também não queria que o povo ficasse querendo jogar toda hora, ia ser mais uma distração no local de trabalho (e outro pertence para eu me preocupar). Só fui realmente ligá-lo e testá-lo no trem, que tem tomada para ligar/carregar aparelhos etc.
        Após a refeição (que nem me lembro se fiz direito para dar tempo de sair e comprar meu brinquedo) nos preparamos e saímos (felizmente) com antecedência para ir à Toulon e ainda tentar passar em um cybercafé para entrar em contato com as pessoas que me receberiam em Toulouse, na gare de Matabiau.
          Ah, vou contar um pouco agora sobre minha dificuldade para conseguir contatar pessoas. Eu ativei o roamming internacional pela TIM, enquanto ainda estava no Brasil, e para fazer isso tive que colocar um crédito adicional de R$50 na minha conta (que é um infinity controle de 32min). Depois de muitas tentativas consegui ligar do meu cel para o Brasil e também para o Flávio (em Grenoble). Ok... Mas não havia um bendito cybercafé nas proximidades, mesmo tendo um enorme centro de compras chamado GrandVar (onde há o Carrefour) a 5min do chantier. Então acabei tendo que usar a net do celular pela primeira vez em muitos anos. Aliás, me surpreendi como o Gmail funciona bem naquela telinha minúscula e o navegador do meu Samsung também não me decepcionou (fora que eu não sabia mexer muito bem). Consegui entrar em contato com Toulouse pela net do celular na primeira semana, depois verifiquei meus e-mails e o contato lá pedia mais informações sobre o horário de chegada, que cor de roupa eu estaria usando pra me identificar etc. Mas aí, zut!, acabaram-se meu créditos e eu não conseguia de jeito nenhum entrar em contato com a TIM (por um outro número, próprio para quem está em roamming internacional).
           Djamel disse que conhecia um cybercafé não muito longe da gare (estação) de Toulon, e realmente não era muito, mas na pressa que eu estava (somada à ansiedade do horário, da possibilidade  de não conseguir contatá-los...) parecia bem longe. Reconheço que fiquei com um certo medo do bairro lá, mesmo sendo ainda o período da tarde e o cybercafé era um buraquinho minúsculo, mas a hora era muito barata. Eu escrevi um e-mail rápido (usando aquele, perdoem-me, maldito teclado francês) para meus contatos, anotei seu telefone, confirmei meu horário de chegada (finalmente, depois de uns 10 dias desde que me perguntaram), desconectei da minha conta, paguei acho que apenas 20 centavos de euro e saí (ainda com temor de roubarem minha senha e fazerem um estrago) correndo para me reunir ao grupo que me esperava numa linda praça, realmente teria sido legal ter um um pouco mais de tempo para conhecer o centro de Toulon, mesmo sendo um lugar um pouco hostil às vezes.
          Cheguei à gare bem em cima da hora, compostei meu bilhete nas maquininhas amarelas (se um dia vocês visitarem a França, lembrem-se de fazer isso antes de embarcar). Ouvi pela milésima vez aquele "Tu tá tu tara" da vinheta da SNCF (Sociedade Nacional de Caminhos de Ferro, da França) "Compostez votre villet" ou "L´étiquetage de votre bagage est obligatoire, pour votre securité" e assim vai.
          E a partir daí aconteceram dois momentos muito emocionantes:
          Primeiro: a despedida do grupo foi muito calorosa. Dei um forte abraço em Son-Ca, e agradeci sua disposição em me levar até a gare e dar todo apoio nessa correria. As meninas também foram muito carinhosas da despedida e Mallorie disse que sentiria saudade (como eu também havia lhe dito quando ela teve que se ausentar logo no início, a gente se dava bem). Djamel e Ramzi subiram comigo ao trem para fazer graça. E quando eu já estava sentado um senhor do outro lado me chamou, para dizer que eles estavam ali fora, ainda me dando "tchau". Quando me sentei pensei no grupo, na amizade forte que já tinha se estabelecido em tão pouco tempo (é... o que é a convivência constante, dia e noite...) e nos problemas que haviam afetados todos. Não me lembro direito agora, mas acho que havia sido neste dia mesmo que eu estava muito chateado, pois eu tinha que trabalhar 2h a mais do que os outros que mal trabalhavam direito boa parte do tempo. Son-Ca, sabendo que eu queria conversar me chamou para "jogar a compostagem de lixo orgânico fora" e aproveitamos para conversar sobre isso. Ela me deu um grande apoio, me escutou. Trocamos ideias sobre como poder fazer com que a coisa funcionasse melhor dali pra frente. Pensei também na Kelly, toda machucada, tão frágil, tão carente, tão temperamental e ao mesmo tempo tão gentil e carinhosa em certos momentos. Pensei em Djamel, no sábado de manhã (eu acho) quando saímos (só eu e ele) para eu comprar  o Final Fantasy XI e ele para comprar cartão telefônico e chiclete (e talvez outras coisas que não deveria) e ele me contou que sua mãe estava morta, seu pai estava longe ou o havia abandonado e compreendi um pouco de seu comportamento. Pensei em Ramzi, que havia dado algumas mancadas feias, algumas sozinho, outras junto com Djamel e outras junto com Mallorie. Que apesar de insolente, era calmo e muito companheiro. Pensei igualmente em Mallorie, que era divertida, mas passava muito tempo quieta, com um ar deprimido, com problemas para dormir e dor nas costas... Ou fingindo. Pensei nas falhas do projeto, mas ao mesmo tempo pensei em como toda organização foi feita só para nós, para que nos agradasse o máximo possível e como éramos importantes para aquele chantier e para todas as pessoas que trabalhavam nele e que um dia usufruiriam dele sem mesmo nos conhecer... Tanto que Son-Ca tomou a iniciativa de fazer um jornal "Le Next. Franchement..." (O Próximo. Francamente...), que escrevíamos todas às noites durante o debriefing para que no futuro alguém soubesse quem foram os voluntários que trabalharam lá e o que havíamos feito. A cada depoimento terminávamos com "NEXT!" para que o próximo escrevesse... Por muito tempo pensei em dar este nome ao blog. Enfim, fiquei emocionado em pensar como eu havia me tornado importante para aquelas pessoas que me conheciam a uma semana e meia. Como elas havia desenvolvido carinho e preocupação por mim e eu por elas a ponto de uma despedida como aquela me deixar uma marca.
          Segundo: lembrar de minha família. Naquele momento, indo para Toulouse, "la ville rose", o segundo berço da Rosacruz (a sociedade místico-filosófica da qual faço parte) no mundo, pensando em tudo que havia acontecido, as circunstâncias na minha vida que haviam me levado a ser um rosacruz, a fazer francês, logo pensei no apoio e no amor de minha família. Aquilo me comoveu muito, foi mais do que saudade, foi uma dor por saber por quanto tempo fui um filho egoísta e negligente, por quanto tempo havia mal tratado meu pai, minha mãe e minha irmã, seja verbalmente ou sendo indiferente ou omisso. Sei que não sou uma má pessoa, mas tenho que assumir que tudo o que fiz por eles de bom, de amoroso, de demonstração de carinho e dedicação não chega nem aos pés do que eles fizeram por mim. Vi os videos, os primeiros vídeos que fiz logo que comprei a câmera, de minha mãe na cozinha, ou podando as flores, de minha irmã, alguns segundos, virando-se e indo para seu quarto, de meu tio tocando piano. Não havia sequer um vídeo do meu pai, os mais recentes eu havia apagado para liberar espaço, só algumas fotos sobravam... Isso me doeu, senti como se o preterisse. Escondi meu rosto com o chapéu e não pude conter as lágrimas.
          Chegando à Toulouse a primeira coisa que fiz foi escrever meu nome e sobrenome em uma folha para ser reconhecido (pois só depois fui pensar que nem os havia avisado que eu estaria, por exemplo, de chapéu), mas mesmo sem ter certeza se haviam recebido o e-mail. No entanto, lá estavam eles, um casal, um senhor e uma senhora, muito simpáticos que me aguardavam logo na saída. Eles haviam recebido o e-mail a tempo. Fomos conversando um pouco sobre minha visita à França, sobre Toulouse, sobre como seria meio difícil para ter alguém que me conduzisse por lá no dia seguinte, já que eu havia mudado a data da minha viagem etc. Deixaram-me no hotel e partiram em viagem.
          Pela primeira vez em 10 dias eu poderia dormir numa cama de verdade, tomar um banho morno, acordar a hora que quisesse e comer o que eu quisesse quando me desse vontade. Mas eu estava tão cansado (e com receio de sair sozinho no escuro), que mal jantei e nem fui para o centro ver a comemoração da Queda da Bastilha e os fogos.







novas partes do muro de pedras secas

a parte de trás sendo preparada para continuar o muro




Romain mudando a areia de lugar

Damien, Ramzi e um ajudante do Damien

Vista do trem para Toulouse

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